Os noticiários veiculam, quase que diariamente, a violência de nossas cidades. Tiros, mortos, feridos e presos. O saldo das batalhas é distribuído em boletins pela internet. São números, dados, apenas vítimas de um sistema quase comum de vida e morte. Não existem rostos tampouco nomes, apenas corpos a serem fotografados e filmados para rechearem o circo dos horrores de nossas audiências.
O tráfico de drogas é acusado de ser o grande responsável pela marginalização de nossa sociedade. Imersos em uma guerra, no qual matar e morrer é questão de tempo, mocinhos e bandidos se confundem. As páginas dos jornais, as notícias de rádio ou as chamadas dos telejornais estão sempre manchadas de sangue. São crianças, trabalhadores, ricos e pobres, todos envolvidos numa calamidade contemporânea.
A solução todos conhecem e repetem em coro: EDUCAÇÃO! Mas parece que o poder público não tem ouvidos. Ao contrário, os governos – o do Estado do Rio por exemplo – agem da maneira mais arbitrária e covarde possível. Utilizam-se das ferramentas mais segregadoras e exclusivas que se possa lançar mão. A execução sumária, o caveirão, a corrupção, a falta de empenho político e o comprometimento com o grande capital.
A política de segurança pública do governa Cabral é no mínimo desastrosa. As operações das polícias civil e militar nas comunidades pobres da cidade do Rio de Janeiro não têm mira, não têm senso, não têm lucidez. Assassinar o pobre negro sumariamente significa matar um bandido, um traficante. Os homens, às vezes mulheres e crianças mortas são sempre pessoas ligadas ao tráfico.
A forma mais preguiçosa de ação. A forma menos humana de combate. A política de segurança de Cabral mata pessoas inocentes e isso não é uma denúncia. Todos nós sabemos, mas qual o problema, se para que bandidos sejam mortos alguns inocentes tenham que pagar com a própria vida? Ainda mais quando esses inocentes são pobres, “favelados” e negros. O tráfico não tem rosto, a culpa é de todos.
A mídia acata o discurso unilateral das autoridades militares quando afirmam que todos os assassinados na operação tinham ligação direta com o crime e com o tráfico de drogas. Não há apuração. Não há importância. A maneira de ação é tão banalizada, que a sociedade civil acata e legitima o desastre social.
O sistema prisional é uma das maiores vergonhas e maiores absurdos da política pública de segurança. As celas estão abarrotadas e os presos fundam suas facções dentro das penitenciárias. O governo subsidia a criminalidade e a fomenta. Incita a corrupção e parece pedir por favor para que os presos troquem informações a respeito de crimes e forma violentas de ação. Não investir em um sistema prisional decente, que funcione corretamente, dentro de suas capacidades, é no mínimo estupidez.
Não levanto bandeira para os traficantes nem defendendo a criminalidade, apenas julgo haver maneiras mais sãs e civilizadas de enfrentar problemas tão sérios. Cadê o saneamento? Cadê o preparo das policiais? Cadê a distribuição de renda? Cadê o dinheiro do contribuinte? Cadê a EDUCAÇÃO? Não é possível que a violência não tenha solução. Não é possível que os governos pensem que o combate direto é a política mais eficaz. Não é possível.
Muito mais que uma opinião ou um desabafo, esse texto é um alerta. Talvez esteja na hora de discutirmos o problema de maneira mais madura e mais sensata. Os abismos sociais estão cada vez mais profundos e o Estado cada vez mais ausente. Nos acostumamos a ler, ouvir e a ver a violência como um elemento comum de nossa sociedade. Mas é preciso lembrar que não é normal que jovens estejam armados – não são eles o futuro? Não é normal moradores das periferias serem mortos por balas perdidas quase todo dia. Não é normal vivermos em constante estado de medo e alerta. Não é normal acatarmos as decisões arbitrárias dos políticos que nós elegemos. Talvez não saibamos o que é normal, mas temos certeza do que não é!
sexta-feira, 17 de abril de 2009
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