Os noticiários veiculam, quase que diariamente, a violência de nossas cidades. Tiros, mortos, feridos e presos. O saldo das batalhas é distribuído em boletins pela internet. São números, dados, apenas vítimas de um sistema quase comum de vida e morte. Não existem rostos tampouco nomes, apenas corpos a serem fotografados e filmados para rechearem o circo dos horrores de nossas audiências.
O tráfico de drogas é acusado de ser o grande responsável pela marginalização de nossa sociedade. Imersos em uma guerra, no qual matar e morrer é questão de tempo, mocinhos e bandidos se confundem. As páginas dos jornais, as notícias de rádio ou as chamadas dos telejornais estão sempre manchadas de sangue. São crianças, trabalhadores, ricos e pobres, todos envolvidos numa calamidade contemporânea.
A solução todos conhecem e repetem em coro: EDUCAÇÃO! Mas parece que o poder público não tem ouvidos. Ao contrário, os governos – o do Estado do Rio por exemplo – agem da maneira mais arbitrária e covarde possível. Utilizam-se das ferramentas mais segregadoras e exclusivas que se possa lançar mão. A execução sumária, o caveirão, a corrupção, a falta de empenho político e o comprometimento com o grande capital.
A política de segurança pública do governa Cabral é no mínimo desastrosa. As operações das polícias civil e militar nas comunidades pobres da cidade do Rio de Janeiro não têm mira, não têm senso, não têm lucidez. Assassinar o pobre negro sumariamente significa matar um bandido, um traficante. Os homens, às vezes mulheres e crianças mortas são sempre pessoas ligadas ao tráfico.
A forma mais preguiçosa de ação. A forma menos humana de combate. A política de segurança de Cabral mata pessoas inocentes e isso não é uma denúncia. Todos nós sabemos, mas qual o problema, se para que bandidos sejam mortos alguns inocentes tenham que pagar com a própria vida? Ainda mais quando esses inocentes são pobres, “favelados” e negros. O tráfico não tem rosto, a culpa é de todos.
A mídia acata o discurso unilateral das autoridades militares quando afirmam que todos os assassinados na operação tinham ligação direta com o crime e com o tráfico de drogas. Não há apuração. Não há importância. A maneira de ação é tão banalizada, que a sociedade civil acata e legitima o desastre social.
O sistema prisional é uma das maiores vergonhas e maiores absurdos da política pública de segurança. As celas estão abarrotadas e os presos fundam suas facções dentro das penitenciárias. O governo subsidia a criminalidade e a fomenta. Incita a corrupção e parece pedir por favor para que os presos troquem informações a respeito de crimes e forma violentas de ação. Não investir em um sistema prisional decente, que funcione corretamente, dentro de suas capacidades, é no mínimo estupidez.
Não levanto bandeira para os traficantes nem defendendo a criminalidade, apenas julgo haver maneiras mais sãs e civilizadas de enfrentar problemas tão sérios. Cadê o saneamento? Cadê o preparo das policiais? Cadê a distribuição de renda? Cadê o dinheiro do contribuinte? Cadê a EDUCAÇÃO? Não é possível que a violência não tenha solução. Não é possível que os governos pensem que o combate direto é a política mais eficaz. Não é possível.
Muito mais que uma opinião ou um desabafo, esse texto é um alerta. Talvez esteja na hora de discutirmos o problema de maneira mais madura e mais sensata. Os abismos sociais estão cada vez mais profundos e o Estado cada vez mais ausente. Nos acostumamos a ler, ouvir e a ver a violência como um elemento comum de nossa sociedade. Mas é preciso lembrar que não é normal que jovens estejam armados – não são eles o futuro? Não é normal moradores das periferias serem mortos por balas perdidas quase todo dia. Não é normal vivermos em constante estado de medo e alerta. Não é normal acatarmos as decisões arbitrárias dos políticos que nós elegemos. Talvez não saibamos o que é normal, mas temos certeza do que não é!
sexta-feira, 17 de abril de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
A espera de um Salvador
A Bahia tem um dos maiores carnavais do Brasil. Milhares de pessoas de todo o país se encontram nos esbarrões dos blocos superlotados de Salvador. Acredito que seja a época em que a capital baiana recebe o maior número de turistas no ano. Mas nem tudo é festa. O brilho que colore a cidade dos trios elétricos não é o mesmo que se apaga na exploração da pobreza soteropolitana.
Quem anda pela cidade em momentos nos quais os trios estão ainda parados, se depara com uma realidade sofrível. Os baianos enfrentam filas enormes, sol forte e uma paga irrisória, para tentarem trabalhar como cordeiros no carnaval milionário de Salvador. Cordeiro, para quem possa não saber o que é, são as pessoas que fazem a proteção dos blocos baianos, separando quem gastou uma fortuna para estar lá dentro, da popular “pipoca”, onde ficam os que não puderam pagar o preço abusivo de entrada.
Nem na festa mais popular do Brasil pode-se ver pessoas se divertindo sem que outras estejam sendo exploradas. As desigualdades sociais, ainda mais claras no nordeste, são feridas expostas na terra da alegria. Não que eu tenha visto algum baiano reclamar ou fazer discurso político sobre o carnaval de Salvador. Eu vi pessoas que trabalham duro para receber, ao final de muitas horas de trabalho, algumas poucas notas de 10, enquanto empresários e artistas lucram centenas de milhares de notas de 100.
A distribuição de renda nunca será uma realidade em nosso solo gentil, porque de toda a parte não se vê qualquer esforço de quem tem mais ceder um pouco para que quem tem menos possa ganhar um algo mais. A indiferença pelo sofrimento do pobre, do favelado, está estampado na arrogância da polícia baiana, que desfila como deuses na passarela do carnaval. Os turistas precisam de polícia, os artistas de segurança, os empresários de carros blindados e o povo de castigo. Aqueles que não pagam não têm direito. As armas da polícia daquele estado, assim como as de outras polícias de outros estados, só miram no indigente, no pobre, no corpo sem nome e sem importância.
O carnaval da Bahia deveria ser também do baiano. Fala-se tanto em democracia, mas a maior festa brasileira não permite a participação de todos. Democracia é papo furado de político. Democracia é um espaço em comum que ainda não existe.
Quem anda pela cidade em momentos nos quais os trios estão ainda parados, se depara com uma realidade sofrível. Os baianos enfrentam filas enormes, sol forte e uma paga irrisória, para tentarem trabalhar como cordeiros no carnaval milionário de Salvador. Cordeiro, para quem possa não saber o que é, são as pessoas que fazem a proteção dos blocos baianos, separando quem gastou uma fortuna para estar lá dentro, da popular “pipoca”, onde ficam os que não puderam pagar o preço abusivo de entrada.
Nem na festa mais popular do Brasil pode-se ver pessoas se divertindo sem que outras estejam sendo exploradas. As desigualdades sociais, ainda mais claras no nordeste, são feridas expostas na terra da alegria. Não que eu tenha visto algum baiano reclamar ou fazer discurso político sobre o carnaval de Salvador. Eu vi pessoas que trabalham duro para receber, ao final de muitas horas de trabalho, algumas poucas notas de 10, enquanto empresários e artistas lucram centenas de milhares de notas de 100.
A distribuição de renda nunca será uma realidade em nosso solo gentil, porque de toda a parte não se vê qualquer esforço de quem tem mais ceder um pouco para que quem tem menos possa ganhar um algo mais. A indiferença pelo sofrimento do pobre, do favelado, está estampado na arrogância da polícia baiana, que desfila como deuses na passarela do carnaval. Os turistas precisam de polícia, os artistas de segurança, os empresários de carros blindados e o povo de castigo. Aqueles que não pagam não têm direito. As armas da polícia daquele estado, assim como as de outras polícias de outros estados, só miram no indigente, no pobre, no corpo sem nome e sem importância.
O carnaval da Bahia deveria ser também do baiano. Fala-se tanto em democracia, mas a maior festa brasileira não permite a participação de todos. Democracia é papo furado de político. Democracia é um espaço em comum que ainda não existe.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Deu, não deu, Dirceu
Dirceu, homem não era homem
Homem morto
Defunto-homem
Homem-olhar atento, homem-fome
Rasgado de sol, árido de vida
Cheio do nada, vazio de tudo
Sentado na cova
Esperando o motivo, um motivo, seu motivo
Mas motivo não havia, motivo não tinha, motivo não era seu
Homem-dor, seco-homem
Marcado pelo fim com sinal de profeta
Boca seca, muda, plantação sem boca
Chuva arrastada, poesia seca solitária
A fé enfim escrita
Trazia o desconhecido, trazia guarnição
Homem dirceu, homem sem nome
Cachorro sem nome
Bicho sem nome
Não havia critério
Tudo se escrevia
A morte matava e levava e cantava e deixava, mas não mudava
O fim aparecia, jogado como em noite fria
Descansava Dirceu
Repousava o poeta.
Homem morto
Defunto-homem
Homem-olhar atento, homem-fome
Rasgado de sol, árido de vida
Cheio do nada, vazio de tudo
Sentado na cova
Esperando o motivo, um motivo, seu motivo
Mas motivo não havia, motivo não tinha, motivo não era seu
Homem-dor, seco-homem
Marcado pelo fim com sinal de profeta
Boca seca, muda, plantação sem boca
Chuva arrastada, poesia seca solitária
A fé enfim escrita
Trazia o desconhecido, trazia guarnição
Homem dirceu, homem sem nome
Cachorro sem nome
Bicho sem nome
Não havia critério
Tudo se escrevia
A morte matava e levava e cantava e deixava, mas não mudava
O fim aparecia, jogado como em noite fria
Descansava Dirceu
Repousava o poeta.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Quem foi o infeliz?
A cidade grande é um mistério insondável. São pessoas que vão e voltam num trânsito frenético, entre as calçadas e ruas, entre os elevadores e ônibus. Mas tento, às vezes, imaginar o que pode ter de comum entre tanta gente. Talvez o fato de sofrermos todos os dias para chegarmos em nossos trabalhos, pegando trens e ônibus lotados, filas enormes nas barcas, pudesse ser um fator comum. Mas não. Muitos ainda vão e vem no conforto de um carro zero! Enquanto pensava num elo, tocou meu celular. O celular!
Todos têm celular. Outro dia ouvi um senhor dizer: Como sobrevivíamos sem o celular? Essa foi umas das melhores invenções do homem, depois do ar condicionado e da geladeira!, sentenciou o velho homem. O pequeno aparelho, em seus infinitos modelos, não são mais apenas telefones portáteis. São verdadeiros símbolos de uma era tecnológica. Esses “achadores” de gente evoluem a cada dia, parecem ter vida própria. São tantas funções embutidas, que passamos mais tempo ouvindo música, tirando fotos, enviando e-mails, passando mensagens, do que fazendo ligações.
Não há dúvidas de que o telefonezinho portátil é bastante útil. Principalmente quando observamos o ritmo de vida que levamos. Precisamos nos falar o tempo todo. Tudo tem que ser resolvido com máxima urgência. Nada fica pra amanhã. O dinamismo de nossa sociedade é tão violento que nem nos damos conta, ao fim do dia, do passar do tempo.
Mas aí, alguém – com certeza, uma mente brilhante – inventou uma função pro celular, que é uma desgraça. Não satisfeito em colocarem rádio e toques estranhos, o sujeito tecnólogo, fez do celular uma caixa de som portátil. Talvez ele acreditasse no bom senso das pessoas... Pelos menos aqui no Brasil, essa função “música para todos, querendo ouvir ou não”, é algo de extremo mau gosto. Infelizmente as pessoas não têm educação para saberem que em locais públicos a gente não pode fazer somente o que queremos.
Vivemos em comunidade e deveríamos saber que cada indivíduo tem o direito de não ser incomodando. Mas ao contrário, uns tantos gostam de infernizar! Colocam um funk bem barulhento, não que o autor tenha algo contra, mas não é o tipo de música que mais me agrada, e ainda acompanham aquela canção como se estivessem dentro do quarto de suas casas. O cara que teve a brilhante idéia de transformar o celular em um aparelho de som portátil, deveria pagar por seu crime.
A falta de respeito com o próximo, infelizmente, é algo natural. O individualismo é gritante e real. É cada um por si, e todos contra todos. Quem sabe um dia não inventam uma função educativa para celulares ultramodernos, do tipo, abrace seu coleguinha ou peça desculpas a quem você magoou ou ainda, não jogue seu lixo no chão.
Todos têm celular. Outro dia ouvi um senhor dizer: Como sobrevivíamos sem o celular? Essa foi umas das melhores invenções do homem, depois do ar condicionado e da geladeira!, sentenciou o velho homem. O pequeno aparelho, em seus infinitos modelos, não são mais apenas telefones portáteis. São verdadeiros símbolos de uma era tecnológica. Esses “achadores” de gente evoluem a cada dia, parecem ter vida própria. São tantas funções embutidas, que passamos mais tempo ouvindo música, tirando fotos, enviando e-mails, passando mensagens, do que fazendo ligações.
Não há dúvidas de que o telefonezinho portátil é bastante útil. Principalmente quando observamos o ritmo de vida que levamos. Precisamos nos falar o tempo todo. Tudo tem que ser resolvido com máxima urgência. Nada fica pra amanhã. O dinamismo de nossa sociedade é tão violento que nem nos damos conta, ao fim do dia, do passar do tempo.
Mas aí, alguém – com certeza, uma mente brilhante – inventou uma função pro celular, que é uma desgraça. Não satisfeito em colocarem rádio e toques estranhos, o sujeito tecnólogo, fez do celular uma caixa de som portátil. Talvez ele acreditasse no bom senso das pessoas... Pelos menos aqui no Brasil, essa função “música para todos, querendo ouvir ou não”, é algo de extremo mau gosto. Infelizmente as pessoas não têm educação para saberem que em locais públicos a gente não pode fazer somente o que queremos.
Vivemos em comunidade e deveríamos saber que cada indivíduo tem o direito de não ser incomodando. Mas ao contrário, uns tantos gostam de infernizar! Colocam um funk bem barulhento, não que o autor tenha algo contra, mas não é o tipo de música que mais me agrada, e ainda acompanham aquela canção como se estivessem dentro do quarto de suas casas. O cara que teve a brilhante idéia de transformar o celular em um aparelho de som portátil, deveria pagar por seu crime.
A falta de respeito com o próximo, infelizmente, é algo natural. O individualismo é gritante e real. É cada um por si, e todos contra todos. Quem sabe um dia não inventam uma função educativa para celulares ultramodernos, do tipo, abrace seu coleguinha ou peça desculpas a quem você magoou ou ainda, não jogue seu lixo no chão.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Reclamações de sobra S.A.
Eu sou um usuário. Todos os dias saio de Niterói, cidade onde moro, e vou para o Rio de Janeiro, cidade onde trabalho e estudo, utilizando a barca. Para ir e voltar. A verdade é que milhares de pessoas são usuárias. Pessoas que acordam cedo, trabalham, estudam, e dependem daquela joça para se locomover. As filas enormes e um certo tumulto já fazem parte da peripécia marítima. A empresa que administra o transporte aquaviário, faz circular já há algum tempo uma nova embarcação, uma gaiola gigantesca, quase sem circulação de ar. Nos dias quentes – sempre – os viajantes vão fazendo sauna durante a travessia, e isso não é optativo, vem junto no pacote.
Hoje, 18 de fevereiro, quarta-feira, ao chegar à praça XV, onde se embarca rumo à Niterói, tive uma surpresa. Existe uma CPI, é isso mesmo, uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Alerj, para investigar inúmeras denúncias contra a Barcas S.A., empresa que administra a linha, Rio-Niterói, via mar. Procurei no ato o movimento pra me informar melhor. Coloquei meu nome e minha identidade em um abaixo assinado, na crença de que minha contribuição como cidadão pode ter algum valor. Um homem ao microfone rasgava elogios ao presidente da comissão da CPI, um deputado petista – não cabe aqui citá-lo, pois o blog grau de alerta não é um palanque eleitoral, pelo menos por enquanto!
Muitas pessoas, aliás, muitos usuários, passavam indiferentes ao rebuliço. Porém, muitos outros, paravam, procuravam se informar e aderiam ao abaixo assinado. Esse tipo de iniciativa é muito importante em um país onde a descrença nos políticos e nas políticas públicas está em alta. Independente do deputado estar lá discursando ou não, o fato da CPI ter ido as ruas, saber da opinião do povo, das reclamações, do sofrimento diário dos usuários, é uma iniciativa de grande relevância. Fica a esperança de que dessa vez, tudo não termine em pizza, como já de costume nas CPIs de Brasília.
É fato que as Barcas não podem continuar funcionado de forma tão deficiente. È fato que nós, cidadãos cheios de deveres, não podemos continuar sendo tratados como gado. Refiro-me ao gado, especificamente, porque quando se abrem os portões que nos levam a embarcação, todos somos guiados por grades e correntes, seguindo uma direção, num fluxo frenético e ininterrupto, qual gado de fazenda, sendo levado de volta ao curral. È fato que o poder público precisa intervir nessa situação calamitosa.
Estamos esperançosos. Algo está sendo feito e é preciso que as pessoas colaborem com a CPI. Se reclamamos tanto e nunca sabemos como agir, aí está uma oportunidade parta que cada cidadão, usuário ou não, apóie e divulgue esta luta. Existe, inclusive, um telefone para ouvir as reclamações: 0800 282 5888. Já que não podemos muita coisa sozinhos, quem sabe, juntos, a coisa melhore. Não nos custa tentar.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Bateu uma saudade
Saudade de quem nem se conheceu. Saudade de quem morreu cedo. Saudade de um gênio de alma transparente. Saudade de ouvir alguém cantar a beleza da vida. Tantos homens passam e não deixam nada. Tantos outros só de passar deixam tudo. História, música, filhos e poesia. Eu ainda muito pequeno já ouvia a voz do cavalheiro solitário, cantando seus poemas que transbordavam de seu coração. Ah, Gonzaguinha, você faz falta! Obrigado pela sua obra e pelas sua sobras. Que Daniel, Fernanda e Amora preservem a força e a viceralidade da música de seu pai.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Deboche
Nessa canção deboche
Não me leve a mal, meu Brasil varonil
Não sou do funk nem do pagode
Sou um poeta em alerta
Em mensagem infantil
Reforço minha ótica e não vejo mais por quê
Se sou luz do dia ou escuridão do anoitecer
Canto sozinho, mais um na multidão
A sério levei o que dizia meu coração
Mas ninguém veio comigo
Balancei minha bandeira
Deu cansaço, de calo nas mãos
Ainda se importam
Com esse negócio de cor, sexo e gênero
Sou mameluco, cafuzo, homem maluco
Bato palma e faço da vida meu picadeiro
Mas se a farinha é pouca, meu pirão primeiro
Tem gente vivendo na reserva
Comida, diversão, tá uma merda
Rua de indigente, casa vazia
Sou da periferia, minha boca não tem dente
Desculpe ter nascido
Não tenho apelido, meu nome é acidente
Não leio livros nem falo bonito
Vejo novelas e não cometo delitos
Não sou alienado, mas tenho músculos definidos
Meu povo querido
Desperta desse sono oprimido
O galo já cantou
Perdeu a voz, tá rouco e deprimido
Se ficar pra amanhã
O buraco negro continuará sendo nosso destino
Não me leve a mal, meu Brasil varonil
Não sou do funk nem do pagode
Sou um poeta em alerta
Em mensagem infantil
Reforço minha ótica e não vejo mais por quê
Se sou luz do dia ou escuridão do anoitecer
Canto sozinho, mais um na multidão
A sério levei o que dizia meu coração
Mas ninguém veio comigo
Balancei minha bandeira
Deu cansaço, de calo nas mãos
Ainda se importam
Com esse negócio de cor, sexo e gênero
Sou mameluco, cafuzo, homem maluco
Bato palma e faço da vida meu picadeiro
Mas se a farinha é pouca, meu pirão primeiro
Tem gente vivendo na reserva
Comida, diversão, tá uma merda
Rua de indigente, casa vazia
Sou da periferia, minha boca não tem dente
Desculpe ter nascido
Não tenho apelido, meu nome é acidente
Não leio livros nem falo bonito
Vejo novelas e não cometo delitos
Não sou alienado, mas tenho músculos definidos
Meu povo querido
Desperta desse sono oprimido
O galo já cantou
Perdeu a voz, tá rouco e deprimido
Se ficar pra amanhã
O buraco negro continuará sendo nosso destino
Um trem fantasma na cidade maravilhosa
Ao inventar a roda e descobrir a pólvora, o homem evoluiu tecnologicamente de forma expressiva. É bem verdade que a pólvora utilizada para colorir os céus chineses com fogos de artifício, em mãos de homens vis e cruéis - o branco europeu - transformou-se em arma letal, em um símbolo de terror. A roda por sua vez, não foi largamente utilizada em planos diabólicos de povos desenvolvidos. Ao contrário, contribui com a aceleração de integração de lugares e povos.
A introdução acima poderia não ter qualquer relação de sentido com o título escolhido, não fosse a idéia de demonstrar que o homem é capaz de invenções e descobertas fascinantes, e que os governos, sejam eles totalitários, democráticos ou monárquicos, são fielmente cruéis com a fertilidade e capacidade humana de produção. O trem, por exemplo, poderia ter sido uma invenção revolucionária. Um bom exemplo de coletividade, divisão, investimento público na qualidade de vida do contribuinte. Porém o trem carioca transformou-se em um gigantesco trem fantasma.
Antes fosse um trem divertido de um parque de diversões, com sustos agradáveis - se é que sustos podem ser agradáveis. Mas os veículos que andam sobre os quilômetros de vias férreas na cidade são um verdadeiro horror. Sejam trens de superfície, seja o metrô. Quando o vagão chega na estação, na hora do rush, a multidão faminta e sedenta, atormentada pelo forte verão do Rio de Janeiro, entra em polvorosa trem adentro.
Seria tudo normal se as pessoas que já estão dentro dos vagões não fossem empurradas e massacradas e apertadas. A coisa é tão feia que nem as leis da física são respeitadas. Esse negócio de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço é balela. No metrô, ainda vem uma voz suave, no meio daquele inferno, de pessoas se acotovelando e suando, dizendo que você deve ser educado e não andar com a mochila nas costas. Pois a bagagem atrapalha a passagem das pessoas. Mas que pessoas? São todos tratados como bichos!
Aí eu volto naquela história da criação, não a de Adão e Eva, mas aquela do homem que estuda e pesquisa. Há alguns séculos atrás os trens eram luxuosos e não atendiam a toda uma população pobre e sim a aristocracia, com ares da corte decadente de Portugal. Quando nós, os trabalhadores “baixa renda” conseguimos andar de trem, eles, o poder oculto dos governos, nos oferecem o que tem de pior. Mas o pior mesmo, é pensar que nossos impostos estão sendo pagos!
Há diversas campanhas para nos locomovermos por transportes coletivos. Ônibus, barcas, metrô. Mas está tudo um caos. Não tem pra onde correr. Mas voltando ao trem fantasma... Se houvesse um pouco mais de boa vontade política, mais empenho da sociedade em cobrar mudanças drásticas, seja no transporte público, seja na educação ou na saúde, nossos trens não seriam fantasmas, nossas escolas não formariam cidadãos alienados e nossos hospitais não seriam imensos cemitérios.
A introdução acima poderia não ter qualquer relação de sentido com o título escolhido, não fosse a idéia de demonstrar que o homem é capaz de invenções e descobertas fascinantes, e que os governos, sejam eles totalitários, democráticos ou monárquicos, são fielmente cruéis com a fertilidade e capacidade humana de produção. O trem, por exemplo, poderia ter sido uma invenção revolucionária. Um bom exemplo de coletividade, divisão, investimento público na qualidade de vida do contribuinte. Porém o trem carioca transformou-se em um gigantesco trem fantasma.
Antes fosse um trem divertido de um parque de diversões, com sustos agradáveis - se é que sustos podem ser agradáveis. Mas os veículos que andam sobre os quilômetros de vias férreas na cidade são um verdadeiro horror. Sejam trens de superfície, seja o metrô. Quando o vagão chega na estação, na hora do rush, a multidão faminta e sedenta, atormentada pelo forte verão do Rio de Janeiro, entra em polvorosa trem adentro.
Seria tudo normal se as pessoas que já estão dentro dos vagões não fossem empurradas e massacradas e apertadas. A coisa é tão feia que nem as leis da física são respeitadas. Esse negócio de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço é balela. No metrô, ainda vem uma voz suave, no meio daquele inferno, de pessoas se acotovelando e suando, dizendo que você deve ser educado e não andar com a mochila nas costas. Pois a bagagem atrapalha a passagem das pessoas. Mas que pessoas? São todos tratados como bichos!
Aí eu volto naquela história da criação, não a de Adão e Eva, mas aquela do homem que estuda e pesquisa. Há alguns séculos atrás os trens eram luxuosos e não atendiam a toda uma população pobre e sim a aristocracia, com ares da corte decadente de Portugal. Quando nós, os trabalhadores “baixa renda” conseguimos andar de trem, eles, o poder oculto dos governos, nos oferecem o que tem de pior. Mas o pior mesmo, é pensar que nossos impostos estão sendo pagos!
Há diversas campanhas para nos locomovermos por transportes coletivos. Ônibus, barcas, metrô. Mas está tudo um caos. Não tem pra onde correr. Mas voltando ao trem fantasma... Se houvesse um pouco mais de boa vontade política, mais empenho da sociedade em cobrar mudanças drásticas, seja no transporte público, seja na educação ou na saúde, nossos trens não seriam fantasmas, nossas escolas não formariam cidadãos alienados e nossos hospitais não seriam imensos cemitérios.
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