A Bahia tem um dos maiores carnavais do Brasil. Milhares de pessoas de todo o país se encontram nos esbarrões dos blocos superlotados de Salvador. Acredito que seja a época em que a capital baiana recebe o maior número de turistas no ano. Mas nem tudo é festa. O brilho que colore a cidade dos trios elétricos não é o mesmo que se apaga na exploração da pobreza soteropolitana.
Quem anda pela cidade em momentos nos quais os trios estão ainda parados, se depara com uma realidade sofrível. Os baianos enfrentam filas enormes, sol forte e uma paga irrisória, para tentarem trabalhar como cordeiros no carnaval milionário de Salvador. Cordeiro, para quem possa não saber o que é, são as pessoas que fazem a proteção dos blocos baianos, separando quem gastou uma fortuna para estar lá dentro, da popular “pipoca”, onde ficam os que não puderam pagar o preço abusivo de entrada.
Nem na festa mais popular do Brasil pode-se ver pessoas se divertindo sem que outras estejam sendo exploradas. As desigualdades sociais, ainda mais claras no nordeste, são feridas expostas na terra da alegria. Não que eu tenha visto algum baiano reclamar ou fazer discurso político sobre o carnaval de Salvador. Eu vi pessoas que trabalham duro para receber, ao final de muitas horas de trabalho, algumas poucas notas de 10, enquanto empresários e artistas lucram centenas de milhares de notas de 100.
A distribuição de renda nunca será uma realidade em nosso solo gentil, porque de toda a parte não se vê qualquer esforço de quem tem mais ceder um pouco para que quem tem menos possa ganhar um algo mais. A indiferença pelo sofrimento do pobre, do favelado, está estampado na arrogância da polícia baiana, que desfila como deuses na passarela do carnaval. Os turistas precisam de polícia, os artistas de segurança, os empresários de carros blindados e o povo de castigo. Aqueles que não pagam não têm direito. As armas da polícia daquele estado, assim como as de outras polícias de outros estados, só miram no indigente, no pobre, no corpo sem nome e sem importância.
O carnaval da Bahia deveria ser também do baiano. Fala-se tanto em democracia, mas a maior festa brasileira não permite a participação de todos. Democracia é papo furado de político. Democracia é um espaço em comum que ainda não existe.
sexta-feira, 6 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Deu, não deu, Dirceu
Dirceu, homem não era homem
Homem morto
Defunto-homem
Homem-olhar atento, homem-fome
Rasgado de sol, árido de vida
Cheio do nada, vazio de tudo
Sentado na cova
Esperando o motivo, um motivo, seu motivo
Mas motivo não havia, motivo não tinha, motivo não era seu
Homem-dor, seco-homem
Marcado pelo fim com sinal de profeta
Boca seca, muda, plantação sem boca
Chuva arrastada, poesia seca solitária
A fé enfim escrita
Trazia o desconhecido, trazia guarnição
Homem dirceu, homem sem nome
Cachorro sem nome
Bicho sem nome
Não havia critério
Tudo se escrevia
A morte matava e levava e cantava e deixava, mas não mudava
O fim aparecia, jogado como em noite fria
Descansava Dirceu
Repousava o poeta.
Homem morto
Defunto-homem
Homem-olhar atento, homem-fome
Rasgado de sol, árido de vida
Cheio do nada, vazio de tudo
Sentado na cova
Esperando o motivo, um motivo, seu motivo
Mas motivo não havia, motivo não tinha, motivo não era seu
Homem-dor, seco-homem
Marcado pelo fim com sinal de profeta
Boca seca, muda, plantação sem boca
Chuva arrastada, poesia seca solitária
A fé enfim escrita
Trazia o desconhecido, trazia guarnição
Homem dirceu, homem sem nome
Cachorro sem nome
Bicho sem nome
Não havia critério
Tudo se escrevia
A morte matava e levava e cantava e deixava, mas não mudava
O fim aparecia, jogado como em noite fria
Descansava Dirceu
Repousava o poeta.
Assinar:
Postagens (Atom)