segunda-feira, 2 de março de 2009

Deu, não deu, Dirceu

Dirceu, homem não era homem
Homem morto
Defunto-homem

Homem-olhar atento, homem-fome
Rasgado de sol, árido de vida
Cheio do nada, vazio de tudo
Sentado na cova
Esperando o motivo, um motivo, seu motivo
Mas motivo não havia, motivo não tinha, motivo não era seu

Homem-dor, seco-homem
Marcado pelo fim com sinal de profeta
Boca seca, muda, plantação sem boca
Chuva arrastada, poesia seca solitária
A fé enfim escrita
Trazia o desconhecido, trazia guarnição

Homem dirceu, homem sem nome
Cachorro sem nome
Bicho sem nome
Não havia critério
Tudo se escrevia
A morte matava e levava e cantava e deixava, mas não mudava
O fim aparecia, jogado como em noite fria
Descansava Dirceu

Repousava o poeta.

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