sábado, 14 de fevereiro de 2009

Um trem fantasma na cidade maravilhosa

Ao inventar a roda e descobrir a pólvora, o homem evoluiu tecnologicamente de forma expressiva. É bem verdade que a pólvora utilizada para colorir os céus chineses com fogos de artifício, em mãos de homens vis e cruéis - o branco europeu - transformou-se em arma letal, em um símbolo de terror. A roda por sua vez, não foi largamente utilizada em planos diabólicos de povos desenvolvidos. Ao contrário, contribui com a aceleração de integração de lugares e povos.
A introdução acima poderia não ter qualquer relação de sentido com o título escolhido, não fosse a idéia de demonstrar que o homem é capaz de invenções e descobertas fascinantes, e que os governos, sejam eles totalitários, democráticos ou monárquicos, são fielmente cruéis com a fertilidade e capacidade humana de produção. O trem, por exemplo, poderia ter sido uma invenção revolucionária. Um bom exemplo de coletividade, divisão, investimento público na qualidade de vida do contribuinte. Porém o trem carioca transformou-se em um gigantesco trem fantasma.
Antes fosse um trem divertido de um parque de diversões, com sustos agradáveis - se é que sustos podem ser agradáveis. Mas os veículos que andam sobre os quilômetros de vias férreas na cidade são um verdadeiro horror. Sejam trens de superfície, seja o metrô. Quando o vagão chega na estação, na hora do rush, a multidão faminta e sedenta, atormentada pelo forte verão do Rio de Janeiro, entra em polvorosa trem adentro.
Seria tudo normal se as pessoas que já estão dentro dos vagões não fossem empurradas e massacradas e apertadas. A coisa é tão feia que nem as leis da física são respeitadas. Esse negócio de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço é balela. No metrô, ainda vem uma voz suave, no meio daquele inferno, de pessoas se acotovelando e suando, dizendo que você deve ser educado e não andar com a mochila nas costas. Pois a bagagem atrapalha a passagem das pessoas. Mas que pessoas? São todos tratados como bichos!
Aí eu volto naquela história da criação, não a de Adão e Eva, mas aquela do homem que estuda e pesquisa. Há alguns séculos atrás os trens eram luxuosos e não atendiam a toda uma população pobre e sim a aristocracia, com ares da corte decadente de Portugal. Quando nós, os trabalhadores “baixa renda” conseguimos andar de trem, eles, o poder oculto dos governos, nos oferecem o que tem de pior. Mas o pior mesmo, é pensar que nossos impostos estão sendo pagos!
Há diversas campanhas para nos locomovermos por transportes coletivos. Ônibus, barcas, metrô. Mas está tudo um caos. Não tem pra onde correr. Mas voltando ao trem fantasma... Se houvesse um pouco mais de boa vontade política, mais empenho da sociedade em cobrar mudanças drásticas, seja no transporte público, seja na educação ou na saúde, nossos trens não seriam fantasmas, nossas escolas não formariam cidadãos alienados e nossos hospitais não seriam imensos cemitérios.

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