sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Quem foi o infeliz?

A cidade grande é um mistério insondável. São pessoas que vão e voltam num trânsito frenético, entre as calçadas e ruas, entre os elevadores e ônibus. Mas tento, às vezes, imaginar o que pode ter de comum entre tanta gente. Talvez o fato de sofrermos todos os dias para chegarmos em nossos trabalhos, pegando trens e ônibus lotados, filas enormes nas barcas, pudesse ser um fator comum. Mas não. Muitos ainda vão e vem no conforto de um carro zero! Enquanto pensava num elo, tocou meu celular. O celular!
Todos têm celular. Outro dia ouvi um senhor dizer: Como sobrevivíamos sem o celular? Essa foi umas das melhores invenções do homem, depois do ar condicionado e da geladeira!, sentenciou o velho homem. O pequeno aparelho, em seus infinitos modelos, não são mais apenas telefones portáteis. São verdadeiros símbolos de uma era tecnológica. Esses “achadores” de gente evoluem a cada dia, parecem ter vida própria. São tantas funções embutidas, que passamos mais tempo ouvindo música, tirando fotos, enviando e-mails, passando mensagens, do que fazendo ligações.
Não há dúvidas de que o telefonezinho portátil é bastante útil. Principalmente quando observamos o ritmo de vida que levamos. Precisamos nos falar o tempo todo. Tudo tem que ser resolvido com máxima urgência. Nada fica pra amanhã. O dinamismo de nossa sociedade é tão violento que nem nos damos conta, ao fim do dia, do passar do tempo.
Mas aí, alguém – com certeza, uma mente brilhante – inventou uma função pro celular, que é uma desgraça. Não satisfeito em colocarem rádio e toques estranhos, o sujeito tecnólogo, fez do celular uma caixa de som portátil. Talvez ele acreditasse no bom senso das pessoas... Pelos menos aqui no Brasil, essa função “música para todos, querendo ouvir ou não”, é algo de extremo mau gosto. Infelizmente as pessoas não têm educação para saberem que em locais públicos a gente não pode fazer somente o que queremos.
Vivemos em comunidade e deveríamos saber que cada indivíduo tem o direito de não ser incomodando. Mas ao contrário, uns tantos gostam de infernizar! Colocam um funk bem barulhento, não que o autor tenha algo contra, mas não é o tipo de música que mais me agrada, e ainda acompanham aquela canção como se estivessem dentro do quarto de suas casas. O cara que teve a brilhante idéia de transformar o celular em um aparelho de som portátil, deveria pagar por seu crime.
A falta de respeito com o próximo, infelizmente, é algo natural. O individualismo é gritante e real. É cada um por si, e todos contra todos. Quem sabe um dia não inventam uma função educativa para celulares ultramodernos, do tipo, abrace seu coleguinha ou peça desculpas a quem você magoou ou ainda, não jogue seu lixo no chão.

Um comentário:

  1. O que mais me irrita nessa postura mal educada é que as pessoas que a praticam se quer pensam no incômodo, mas se fosse ao contrário se irritariam por estarem sendo incomodados.
    Voltando do Rio, num ônibus cheio, entram uns rapazes bêbados, que não satisdeitos por estarem fazendo algazarra,ainda estavam tacando cerveja ao lheu nas pessoas. Quando advertidos por outros passageiros sobre a má conduta, eles responderam: "Eu paguei a passagem!"
    UM MOMENTO: POR QUE PAGARAM PASSAGEM PODEM FAZER O QUE QUISER NUM TRANSPORTE COLETIVO? E OS OUTROS QUE TAMBÉM PAGARAM A PASSAGEM, PODEM QUERER MATÁ-LOS PELO DESRESPEITO!?
    Tudo vale desde que eu não seja o incomodado e sim o incomodador!!!
    Falta educação, falta civilidade, falta leitura, falta discernimento...mas só não falta o individualismo em nome do suposto prazer e alegria fulgaz de uma sociedade dilacerada pela desigualdade e pela violência.
    Falta tudo, mas televisão é o que não falta!

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